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Bate-Pronto - Bellucci e o imediatismo do povo brasileiro

Domingo, 15 de fevereiro 2009 às 23:50:44 AMT

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Tênis Profissional

Por João Neto

O imediatismo sempre foi um defeito do povo brasileiro. Após um começo de ano desanimador, nas quadras rápidas da Oceania, superfície onde ele não conseguiu se firmar, o paulista Thomaz Bellucci, atual número 64 do mundo, entrou com muita expectativa na gira latino-americana de saibro.

Porém, em Vina Del Mar, no Chile, na sua estréia no piso lento em 2009, ele fracassou. Na segunda rodada, após bater o fraco Juan Pablo Brzezicki, ele sucumbiu diante do ''hermano'' Jose Acasuso, que fazia sua primeira exibição na temporada e, com isso, sentiu bastante a falta de ritmo, mas na experiência levou a melhor.

Isso foi um baque para todos os fãs de Bellucci, que ficaram com um pé atrás, pois ele oscilava bastante durante os duelos, jogando alguns pontos como top-20 e outros como aleta de futures.

Só que, na segunda semana de fevereiro, atuando em casa, na Costa do Sauípe, veio a redenção. Com o intuito de superar o fracasso do ano passado, onde, na primeira rodada, ele foi atropelado pelo equatoriano Nicolas Lapentti, Bellucci entrou com muita vontade e concentração na nona edição do Brasil Open.

Saindo do hotel apenas para jogar e treinar, o tímido Bellucci falava pouco com os fãs e preferia manter o foco, evitando aparecer em festas, freqüentada por quase todos os jogadores.

Na primeira rodada, um confronto bem morno contra o italiano Potito Starace. Apesar de falhar em alguns momentos, o brasileiro se impôs nos momentos decisivos e saiu vitorioso.

Já no seu segundo encontro, ele mediria forças com o polonês Lukazs Kubot, que veio da fase qualificatória. O que todos imaginavam que seria um fácil triunfo, não aconteceu. Mostrando um bom jogo na rede e na linha de base, Kubot chegou a ter uma quebra de vantagem na parcial final.

Entretanto, com o apoio do público, Bellucci elevou seu nível, passou a anotar menos equívocos e virou o marcador, garantindo sua vaga nas quartas, onde faria um duelo inédito diante do espanhol Juan Carlos Ferrero, ex-número um do ranking, mas que passa por mal momento.

O paulista começou bem melhor, aproveitou-se dos erros de Ferrero e, logo, sacou para fechar o set, mas hesitou, perdeu o serviço, e só foi definir no tie-break, após um belo saque aberto.

Na segunda parcial, novamente as preocupantes ‘’viajadas’’ do brasileiro voltaram e, rapidamente, Ferrero aplicou 6-1, o que garantiria a decisão para o terceiro set, onde as ações mantiveram-se equilibradas o tempo todo, porém uma quebra foi decisiva para Bellucci passar para a fase de semifinal.

Tudo se encaminhava para o grande embate entre Bellucci e o espanhol Nicolas Almagro, principal favorito ao título do evento. Contudo, os santos baianos entraram em ação e Almagro sucumbiu diante da zebra portuguesa Frederico Gil.

Com isso, apesar da extrema regularidade de Gil, a melhor forma técnica e física de Bellucci prevaleceu no fim, colocando um brasileiro na decisão do Brasil Open, o que não acontecia desde 2004, quando Guga sagrou-se campeão, ao bater o argentino Agustin Calleri.

Pela frente, Bellucci teria o competente espanhol Tommy Robredo, cabeça de chave 2 e 19º do ranking de entradas da ATP. Robredo, além de não ter perdido nenhum set na chave de simples, atuaria, também, na final de duplas, isto é, estava com a confiança nos céus.

O que era quase impossível complicou-se ainda mais, pois o brasileiro começou muito nervoso, errando bastante, discutindo com o seu compatriota, o juiz Carlos Bernardes e, logo, se viu em apuros, já que perdeu o saque no início.

Apesar de ter tido uma chance de quebra, Bellucci falhou e sucumbiu na primeira parcial, preocupando a torcida nacional, que lotava a quadra central do complexo da Costa do Sauípe.

Porém, no segundo set, com uma nova postura, exibindo potentes golpes, Bellucci se aproveitou do seu ótimo saque e de alguns erros de Robredo. Sendo assim, ele levou a melhor e, mais uma vez, precisaria jogar três sets – terceira vez no campeonato.

A parcial que decidiria o grande vencedor iniciou bastante acirrada e os dois jogadores estiveram bem no serviço até o brasileiro, mais uma vez com erros bobos, ceder a vantagem para o favorito.

Só que, quando sacou para fechar, Robredo viu um show de Thomaz Bellucci. Com duas sensacionais bolas vencedoras, o tenista de Tietê devolveu a quebra e teria, no próximo game, a oportunidade de sacar para empatar o confronto.

Mas, na hora de a onça beber água, Bellucci jogou mal, novamente foi quebrado e viu Robredo gritar VAMOS, para celebrar sua grande vitória em terreno brasileiro.

Na cerimônia de premiação, Bellucci comoveu a todos, agradecendo, aos prantos, a todos, inclusive seu treinador, o gaúcho João Zwetsch, que substituiu seu antigo técnico Léo Azevedo.

Agora, o melhor jogador do país segue para Buenos Aires, onde, na primeira fase, ele irá encarar o regular Marcel Granollers Pujol, responsável por eliminar Saretta no Sauípe e campeão de duplas do mesmo evento, ao lado do mesmo Robredo.
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