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Em entrevista Exclusiva, Lapentti fala sobre o drama da queda no ranking

Quinta, 05 de janeiro 2006 às 12:00:00 AMT

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Nicolas Lapentti II

Por Fabrizio Gallas, Tênis News

Antes de seu problema da hepatite que o afastará por cerca de três meses das quadras, o equatoriano Nicolas Lapentti, ex-número 6 do mundo e semifinalista do Australian Open em 1999, concedeu entrevista exclusiva a Tênis News direto do Desafio de Tênis na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, início de dezembro. Dentre os destaques, o tenista nascido em Guayaquil falou sobre o outro drama que viveu na carreira: a falta de motivação que o fez despencar no ranking.

A Hepatite se torna um novo obstáculo para Nicolas que tinha metas de começar bem em 2006 atuando em Auckland, Australian Open, e em seguida os eventos da gira latino-americana no saibro. Na entrevista o tenista de 29 anos abordou sobre assuntos como a trajetória da carreira. Toda sua ascensão ao Top 10 e a falta de motivação e desânimo com as viagens que o levaram a despencar para perto do número 200 do mundo.

A volta da vontade e da dedicação foram os principais motivos para sua recuperação. Lapentti, atual número 95, ainda comentou sobre sua forte amizade com Guga e quando perguntado sobre se pode derrotar Roger Federer ele declarou: “Sou realista né! Hoje é muito díficil.”

Ficha Técnica:

Data Nascimento: 13/08/1976, em Guayaquil, Equador
Residência: Guayaquil e Miami, Flórida Altura: 1,87m
Peso: 86kg
Empunhadura: Destro, backhand duas mãos.
Melhor ranking: 6º em agosto 1999
Títulos: 5 - 1995 – Bogotá; 1999 – Indianápolis, Lyon; 2001 – Kitzbuhel; 2002 – St. Poelten.

Tênis News – Quando e como você começou no tênis ?
Nicolas Lapentti –
Eu comecei a jogar quando tinha 4 anos. Jogava na praia com umas raquetes pequenas. Frescobol como se chama no Brasil. Depois quando tinha 6, 7 anos comecei a jogar tênis com a influência de Andres Gomez que era um ídolo para mim e aí comecei a gostar e treinava todos os dias.

TN – Quando você se deu conta que poderia virar um profissional ? Algum título, alguma vitória importante ?
NL –
Foi em 94, no último ano como juvenil. Joguei bem Roland Garros junior, no US Open junior. Depois ganhei o Orange Bowl em Miami, batendo o Guga na final — junto com os Grand Slams, o Orange Bowl é um dos melhores torneios juvenis do mundo —. Depois disso falei com meu pai e a gente decidiu jogar dois anos para tentar.

TN – O Brasil é um país muito grande com enorme potencial. Aqui surgem diversos talentos no tênis, mas eles param na migração, na mudança do juvenil para o profissional. Como foi o seu caso no Equador ? Teve dificuldades ?
NL –
Tive sorte desse processo vir curto para mim. Sou do ano 1995. Joguei Satélites, Challengers, e em 96 comecei a jogar ATP, mas normalmente esse processo é difícil.

TN – Você em 1999 teve seu melhor ano chegando a Top 10. O que isso representou ao tênis do Equador ? Existiu algum “boom” do tênis em seu país, brotaram novos talentos ?
NL –
Sim, tivemos muitos garotos que começaram a jogar tênis, mas o Equador não tem dinheiro para apoiar e aí fica difícil pois o tênis é um esporte muito caro e não tinha dinheiro para apoiar, dar equipamento aos garotos. É difícil.

TN – Existe algum jovem talento equatoriano que você apontaria como grande promessa e pode estourar ?
NL –
Sim! Tem um, dois jogadores. Tem meu irmão (Giovanni Lapentti, atual 188 do mundo) de 22 anos e tem o Gonzalo Escobar que é um garoto de 16 anos e está jogando bem. Tem mais um ou dois que pode ser que joguem bem.

TN – Falando agora sobre sua carreira profissional. Qual foi sua primeira grande vitória, grande título que marcou ?
NL –
Primeiro título foi em 1995. Fui para Bogotá jogar o qualyfing do ATP Tour. Era o 1º ATP que eu ia jogar e ganhei, aí foi muito bom.

TN – Fale um pouco sobre o ano de 1999, sua melhor temporada em que alcançou o 6º lugar no ranking, chegou a semi final do Australian Open e disputou a Masters Cup em Hannover, Alemanha. Como você tava sentindo seu jogo naquele ano ? O que aconteceu ?
NL –
Eu tava me sentindo muito bem, tava com muita confiança, ganhando muitas partidas, fisicamente incrível. Foi um ano sensacional. Começou com a semi no Australian Open, foi um bom ano.

TN – Nas últimas temporadas você teve uma queda no ranking, ficando para baixo dos 100 melhores do mundo. O que aconteceu ? Você teve alguma contusão ?
NL –
Primeiro foi um pouco de motivação, não conseguia treinar com a mesma intensidade, com a mesma vontade. Estava saturado de viagens. Era de tudo um pouco. O ranking foi para número 60. Daí eu machuquei e caí para 180 do mundo. Foi difícil voltar. Tive que jogar qualys de ATP, Challengers.

TN – E para voltar ? Como foi essa sua volta aos 100 do mundo depois dessa segunda metade de 2005 em que jogou bem nos Challengers ? A que você atribui essa melhora ?
NL –
É tudo. Parte mental, dedicação, voltei a treinar forte, estar com muita vontade. Estou fazendo tudo que fazia antigamente. Voltei a jogar bem a levantar o nível e acho que vou voltar a jogar bem de novo.

TN – Você espera voltar ao Top 10, Top 15 ?
NL –
Ainda não é minha meta, pois é muito difícil. Mas Top 20, Top 30 eu acho que posso.

TN – Fale um pouco sobre sua amizade com Gustavo Kuerten , o Guga. Começou nos torneios juvenis ?
NL –
Começou nos torneios do Cosat (eventos juvenis na América do Sul). A gente foi jogando contra, ai veio a amizade. Sempre nos encontrávamos no juvenil e nos tornamos grandes amigos. No último ano de juvenil jogamos muita dupla, ganhando muitos torneios juntos como o Aberto da França e sempre foi uma amizade. O Guga é gente fina, muito legal.

TN – Como é enfrentar o Guga no circuito profissional ?
NL –
É muito duro. Quando ele está jogando bem, ele faz tudo bem, saca bem, tem um revés (backhand) incrível , a direita que está fluindo. Então você tem que estar bem, mentalmente forte.

TN – Conte um pouco sobre outras amizades que você possui no circuito profissional.
NL –
Depois do Guga tem o Carlos Moya (Espanha) , Ramon Delgado (Paraguai), Fernando Vicente (Espanha), Mariano Zabaleta (Argentina). São esses aí.

TN – E o Roger Federer ? Você tem amizade com ele ?
NL –
É uma amizade de colega, mas não amizade de ligar para ele e sair para jantar por exemplo.

TN – Hoje em dia quem você acha que tem condições fazer frente ao Roger Federer ?
NL –
No momento eu acho que o Rafael Nadal obviamente. Depois acho que o Andy Roddick é o que mais pode fazer frente se ele encontrar a fórmula para vencer o Federer.

TN – E você ?
NL –
Eu sou realista né! Um dia eu acho que posso bater o Federer, mas hoje é muito difícil.

TN – Defina o estilo Lapentti de jogar tênis. Sua principais características de jogo.
NL –
Meu estilo não é o estilo de agora em que os tenistas batem forte, dão porrada na bola, ou tem uma direita boa, ou jogam com muito slice. Eu corro muito, defendo bem, tenho variação de jogo.

TN – Hoje em dia o tênis é baseado em três quesitos fundamentais: o físico, o mental e o técnico. Qual desses você acha o mais importante, aquele que faz a diferença ?
NL –
O mental é o mais importante definitivamente. Depois o lado físico e em seguida o técnico.

TN – Finalizando, o que é o tênis para você ?
NL –
Tênis é minha vida. Eu gosto muito, é o que eu faço todos os dias do ano. E depois é minha carreira, está ligado com tudo que faço que é ao redor do tênis, sempre.
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