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Alto número de Futures faz ITF investir em arbitragem no Brasil

Quarta, 12 de novembro 2008 às 22:00:00 AMT

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Tênis Profissional
O Brasil é, hoje, líder do continente sul-americano em torneios Future. Voltado principalmente aos jogadores em transição, os Futures são também a primeira etapa para novos árbitros em torneios internacionais e, com o aumento do número de torneios, os mesmos também passaram a demandar um maior número de árbitros locais.

Este fato atraiu a atenção da Federação Internacional de Tênis (ITF), que entrou em contato com a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), a fim de ajudar o Brasil na nova safra de juízes de cadeira, ao realizar um curso de arbitragem nível II da ITF. O curso, que acontecerá no Clube Esperia, entre os dias 20 e 23 de novembro, dará aos aprovados a primeira certificação internacional da carreira, a White Badge ou “ crachá branco”.

O curso será ministrado totalmente em inglês, por Andrew Jarret, chefe de arbitragem da Federação Internacional de Tênis, e Andi Egli, um dos árbitros “full time” da Federação Internacional de Tênis. Para otimizar o aproveitamento dos candidatos, o departamento de arbitragem da CBT, comandado por Ricardo Reis, teve a honra de receber um dos árbitros mais conceituados do mundo, Carlos Bernardes, para orientar os inscritos através de um curso preparatório, aplicado na última sexta-feira, na própria sede da CBT. “O Carlos é um grande amigo e desde o início do contato com a ITF se manifestou com o interesse de ajudar. Preparamos o workshop para esse grupo com o objetivo de prepará-los para um melhor desempenho nos quatro dias do curso. Conduzimos a parte teórica na sexta-feira, em inglês, e aproveitamos o final de semana para avaliá-los atuando no quali do future de Guarulhos. A presença do Bernardes foi extremamente valiosa para o grupo. Tenho certeza de que todos que vieram aproveitaram bastante e certamente chegarão mais confiantes para o curso”, afirmou Ricardo Reis.

Bernardes não passou apenas suas experiências vividas dentro da quadra, como também deu dicas sobre como lidar com a convivência com astros do tênis mundial. “Admiro vários jogadores do circuito, mas nós, árbitros, temos de saber que estamos trabalhando e temos de ter sabedoria para dividir admiração e trabalho. Se você não misturar essas duas coisas, tudo flui muito bem”, disse Bernardes, que disponibilizou três dias de sua agenda para, ao lado de Ricardo Reis, orientar os futuros árbitros.

“Hoje, os interessados precisam fazer cursos como estes jovens aqui no Brasil estão tentando o White Badge. A partir daí fazer outro curso, que tem a certificação de bronze, e por aí vai. Esse te dá oportunidade de viajar para outros países e tentar trabalhar em torneios maiores. Do bronze para o prata, você precisa ter avaliações boas e um certo número de jogos por ano. E do prata para o ouro é a mesma coisa, um certo número de avaliações boas e um certo número de jogos. Outra dica é contar com a sorte para estar no lugar certo, na hora certa com as pessoas certas. Também tem que falar inglês, porque infelizmente é uma coisa que bloqueia a gente aqui na América do Sul, mas é muito importante. Se você tem uma boa fluência na língua inglesa, isso te ajuda mais do que você conhecer só as regras” disse Bernardes.

Admirado pelas pessoas que ocupam os mais altos cargos da ATP e ITF, o árbitro brasileiro que comandou duas finais do US Open, em 2006 e neste ano, que marcou o pentacampeonato do suíço Roger Federer, conta que pretende se envolver ainda mais com a formação de novos árbitros daqui pra frente. ”Eu gosto muito desta parte de formação de árbitros e me interesso bastante por isso. Já fiz algumas palestras e cursos e quero ajudar dar continuidade em uma coisa que começamos a mais de 20 anos atrás. Vou tentar entrar nesse outro lado da arbitragem, que é essa parte de escola”, revelou.

O curso para juiz de cadeira terá 20 candidatos no total e começa na próxima quinta-feira dia 20. A iniciativa de reunir os participantes do curso da ITF antes mesmo de seu início é inédita no país e promete ser adotada mais vezes pela Confederação Brasileira de Tênis, a fim de formar árbitros mais preparados para o exercício da profissão. Os aprovados receberão a primeira certificação internacional (white badge) e estarão aptos a atuarem em eventos internacionais maiores.
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