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Depois de três anos como número 2, Nadal assumirá a ponta. Confira trajetória!

Sexta, 25 de julho 2008 às 08:00:00 AMT

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Nadal - Campeão Wimbledon 08
Por Daniel Lacerda - Atualizado dia 01/08

Na semana passada Rafael Nadal completava três anos (158 semanas) de sua primeira vez na carreira a condição de número dois do mundo. Na ocasião, o espanhol havia acabado de conquistar o ATP de Stuttgart, desbancou o australiano Lleyton Hewitt na lista semanal da ATP e assumiu a vice-liderança para não deixá-la mais escapar. Depois da vaga nas semis em Cincinnati ele já será o número 1 do mundo. Veja trajetória!

No dia 25 de julho de 2005, um ainda adolescente Rafael Nadal chegou a 3940 pontos no ranking de entradas, 100 a mais do que o ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que havia ficado para trás. À frente e bem longe, Roger Federer aparecia absoluto, com 6980.

Este panorama vem se repetindo semana após semana desde então. Rafael Nadal evoluiu, passou a conquistar bons resultados em outras superfícies e se consolidou como o segundo melhor do mundo, sempre a alguns milhares de pontos do topo.



A trajetória rumo a esta condição começou um ano antes, ainda em 2004. No início de agosto, Nadal conquistou seu primeiro título na carreira, ao erguer o troféu do ATP de Sopot, na Polônia. O que mais impressiona nesta conquista é que ele saiu vitorioso em uma quadra de saibro, com 18 anos e sem perder nenhum set.

Entretanto, o momento da virada na confiança de 'Rafa' foi dado no fim do ano. No confronto final da Copa Davis, foi escalado em uma fogueira. Ele poderia ser o tenista a dar o título ao seu país, para isso deveria derrotar Andy Roddick. Em quatro sets, ele conseguiu o triunfo, garantiu o título espanhol e mostrou que sua concentração em uma partida é algo inabalável.

Com a confiança em alta, ele iniciou 2005 com uma boa campanha no Aberto da Austrália, ao perder nas oitavas para Lleyton Hewitt. Mas foi no saibro que ele começou a consolidar sua hegemonia. Após cair nas quartas de final do ATP de Buenos Aires, diante de Gaston Gaudio, Nadal desembarcou na Costa do Sauípe para iniciar a sua brilhante temporada em terra batida. Ele conquistou o título ao bater Ricardo Mello na semifinal, em um jogo que estava perdido, e o compatriota Alberto Martin, na decisão.

A partir daí a temporada decolou. Ele levou o troféu em Acapulco, vice em Miami e se sagrou campeão em Monte Carlo, Barcelona, Roma e Roland Garros. Em sua primeira conquista de Grand Slam, Nadal superou Federer na semifinal e o argentino Mariano Puerta, na decisão. Antes do torneio, ele ocupava a 5ª colocação no ranking e a conquista o levou ao 3º posto.

Em seguida, ele fez campanha fraca na grama e voltou ao saibro. Foi campeão em Bastad e em Stuttgart, títulos que o levaram, pela primeira vez, à vice-liderança do ranking. Com a confiança em alta, ele ainda foi o vencedor em Montreal na seqüência, seu primeiro título em outra superfície, consolidando desde então sua nova posição no mundo do tênis. O ano terminou com mais dois troféus para 'Rafa', em Pequim e Madrid. Lesionado, ele não pôde disputar a que seria sua primeira Masters Cup.

Após ser a revelação, Nadal começava 2006 sobre a sombra de comprovar que , de fato, era um tenista de ponta. A temporada para ele só começou em fevereiro, já que ainda se recuperava do pé lesionado. E o primeiro título do ano veio justamente diante de Roger Federer, para coroar a sua manutenção entre os melhores. Após alguns resultados menos expressivos, ele tomou conta novamente da temporada de saibro, de onde saiu invicto. Levou para casa os canecos de Monte Carlo, Barcelona, Roma e Roland Garros, em seqüência.

Quando parecia não poder mais surpreender, Nadal foi brilhante na grama de Wimbledon. Superou seis adversários e apareceu na final para enfrentar Roger Federer. Caiu em quatro sets e se mostrou competitivo no piso que mais lhe parecia ser campo minado. Após o bom resultado, o espanhol teve uma sensível queda de rendimento e não alcançou mais nenhuma final na temporada. Ele ainda jogou pela primeira vez a Masters Cup e foi eliminado na semi por Federer.

O ano de 2007 também não começou muito bem e Nadal parecia ter perdido o ímpeto. Mas foi só impressão. Em Indian Wells, o "Touro Miúra" voltou a brilhar e conquistou o título, renovando a confiança em seu jogo às vésperas da temporada de saibro. Em seu piso preferido, foi novamente arrebatador. Conquistou os tricampeonatos em Monte Carlo, Barcelona, Roma e Roland Garros. Foi ainda finalista em Hamburgo, derrotado por Federer.

A confiança voltou com tamanha intensidade, que ele novamente foi finalista em Wimbledon, com mais segurança em seu jogo e dando um sufoco no número 1 do mundo, que só saiu vitorioso no 5º set. A partir daí, ele teve um pequeno declínio e só obteve mais um troféu, em Stuttgart. Além disso, viu aparecer uma ameaça ao seu posto, o sérvio Novak Djokovic, que foi campeão em Montreal e vice do US Open.

O ano de 2008 foi o mais emocionante até agora nesta jornada de Nadal. Começou com uma expressiva marca, que conseguiu ao alcançar a semifinal do Aberto da Austrália. Após a campanha, ele somou 5980 pontos e se tornou o segundo tenista da história em número de pontos no ranking, superando os 5792 de Pete Sampras.

A marca parecia o prenúncio de um ano de sucesso. Ainda mais porque Federer perdeu um pouco de sua intensidade. Por outro lado, Novak Djokovic se consolidou entre os melhores, tornando a disputa pelo número 1 bem mais empolgante. E se hoje Nadal tem tudo para ser o líder do ranking, antes disso ele teve que defender bravamente sua condição de número 2. Por duas vezes, Djokovic precisava derrotá-lo para mudar de colocação. Em Hamburgo, uma partida épica, que terminou com vitória do espanhol no terceiro set. Em Roland Garros, "Rafa" deu uma aula em "Nole", com fácil vitória em três sets.

Diante deste quadro, não havia dúvidas sobre quem merecia ser o segundo colocado. Mas Nadal queria mais. Conquistou Roland Garros e, em seguida, foi campeão em Queen's e Wimbledon, suas duas primeiras taças na grama, mais Toronto e coroará sua condição de líder com a semifinal em Cincinnati já que Roger Federer foi derrotado precocemente nos dois Masters americanos.

Depois de três anos vendo seu nome constar na segunda linha, Rafael Nadal será o novo Rei do tênis no mínimo a partir do dia 18. Ele pode assumir o topo até mesmo antes, no dia 11 se for à final ou na segunda-feira se conquistar o caneco do torneio.
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