X

Opinião - Franco Ferreiro em alta

Sábado, 05 de julho 2008 às 09:38:31 AMT

Link Curto:

Franco Ferreiro - Mogi

Por João Neto

O brasileiro Franco Ferreiro, nascido na cidade de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, recentemente completou 24 anos e caminha passo-a-passo por um lugar ao sol no circuito da ATP. Logo no início da carreira, aos 19 anos, surgiu como uma bomba, principalmente pelo fato de ter jogado de forma sensacional e cativante diante do experiente dinamarquês Kenneth Carlsen, na primeira rodada do Brasil Open, quando, depois de muita luta, acabou sucumbindo diante do ótimo oponente, com parciais de 4/6 6/4 7/6(11).

Porém, após aquela partida, muitos passaram a acreditar no brasileiro, pois Ferreiro demonstrou muita raça e jogo, mostrando ótimos golpes dos dois lados, boa variação, muita velocidade e explosão, mas, desde aquele momento, já mostrou imensa dificuldade com o saque, cometendo 10 dupla faltas ao longo do duelo.

O gaúcho, no início, correspondeu às expectativas, furando o top-200, em 2004, com apenas 20 anos e fazendo boas campanhas em challengers, chegando, inclusive, a levar o talentoso Richard Gasquet, atual top-10 do ranking mundial, ao tie-break em um dos sets no mesmo Brasil Open.

Naquele mesmo ano, Ferreiro atingiu sua primeira final de challenger, na Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra. Com isso, muitos especialistas continuaram acreditando que Franco era, naquele momento, uma das maiores esperanças do Brasil de repetir o feito de Guga – três vezes campeão de Roland Garros.

O problema é que o talentoso brasileiro passou a priorizar outras coisas na frente de sua profissão e, com isso, caiu muito de rendimento. Baladas, desinteresse nos treinamentos e diversos fatores resultaram em uma total falta de motivação ao tenista para passar semanas longe de familiares e amigos.

Após quase dois anos esquecidos, priorizando eventos futures no Brasil, Ferreiro deu o ar da graça em 2007, quando, no challenger de Florianópolis, ele mostrou ótimo nível ao vencer o competente espanhol Albert Montanes e o brasileiro Marcos Daniel, para perder nas quartas de final diante do sérvio Boris Pashanski.

Só que ele não conseguiu manter o ritmo, continuou jogando poucos torneios e, no fim das contas, acabou voltando a jogar eventos futures no Brasil. Mas, no fim do ano, após furar o quali do challenger de Assunção, no Paraguai, válido pela Copa Petrobrás, Franco renasceu das cinzas.

Depois de vencer o convidado local Juan Carlos Ramirez, ele bateu em seqüência o chileno Paul Capdeville, o francês Nicolas Devilder, o espanhol Ruben Ramirez Hidalgo e, por último, o argentino Martin Vassallo Arguello – todos esses com experiência em Grand Slams.

Esse resultado poderia dar a confiança necessária para que o gaúcho jogasse um bom tênis em 2008. Porém, ele continuou com sua irregularidade de sempre e não conseguiu embalar, sem conseguir furar o top 200, algo que ele já havia conseguido quando tinha apenas 20 anos.

Em meados de Abril, Ferreiro foi jogar mais um torneio, sendo esse o challenger de Florianópolis. As atenções, nesse momento, estavam todas voltadas para Guga, ex-número um do mundo, que faria sua última exibição no Brasil. Após vencer a primeira rodada contra o fraco colombiano Carlos Salamanca, Guga tinha pela frente Franco Ferreiro.

A partida foi muito boa e, após muita luta, Guga acabou sucumbindo e fazendo uma despedida emocionante na sua cidade. Ferreiro ganhou muita confiança com aquele jogo e só parou na final, perdendo para o atual número um do Brasil, o paulista Thomaz Bellucci.

Antes disso, na semifinal, Franco jogou muito contra o argentino Brian Dabul, e mesmo sentindo câimbras, triunfou com um ótimo tênis, levando a torcida ao delírio.

Depois dessa ótima campanha, o gaúcho só voltaria a jogar um mês depois, na Europa, mais precisamente em Zagreb, na Croácia. Foi uma surpresa ótima, já que o brasileiro procurava sempre jogar torneios por perto do Brasil ou no próprio país.

Um mês longe de casa, mostrando, talvez, que quer mudar e levar o tênis a sério, o saldo de Ferreiro é positivo. Foram 7 torneios jogados e treze vitórias contra sete derrotas, atingindo a semifinal em Zagreb e em Reggio Emilia e chegando a final em Sofia, na Bulgária.

Nessa semana, no challenger de Lugano, na Suíça, uma grata surpresa, pois o brasileiro fez um jogo duríssimo contra o italiano Potito Starace, atual 57 do mundo, e ótimo tenista no saibro, onde, nesse piso, já foi finalista de dois ATP’s e nessa temporada, no Masters Series de Hamburgo, quase tirou um set do rei do saibro, o espanhol Rafael Nadal.

Basta esperar para ver se Ferreiro levará a carreira com muito profissionalismo, já que bola ele tem para estar, no mínimo, entre os 100 melhores tenistas do mundo.
banner
banner
banner