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Cada vez mais britânico...

Terça, 01 de julho 2008 às 11:30:33 AMT

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Andy Murray - Wimbledon 08

Por Artur Salles Lisboa de Oliveira

Andy Murray está se sentindo cada vez mais britânico no torneio de Wimbledon. Visto pela imprensa e público locais como um tenista imaturo, indisciplinado e entregador de jogos difíceis - vide seu retrospecto pífio diante do sérvio Novak Djokovic, que há pouco tempo chamou os jogadores ingleses de mimados -, o escocês está dando a volta por cima e estabelecendo uma empatia com a torcida na medida em que vai demonstrando um tenis consistente e aguerrido.

Após uma vitória complicada sobre o talentoso Richard Gasquet nas oitavas-de-finais, na qual Murray precisou virar uma partida praticamente perdida em dois sets a zero e lidar com a responsabilidade de ser o tenista da 'casa', finalmente foram feitas as pazes entre os ingleses e o aparentemente amadurecido Andy Murray.

Vale uma nota imensamente negativa para o francês Richard Gasquet, que de tão frio e desinteressado pela partida - especialmente após vencer o segundo set -, quase pega uma gripe na quadra central do All England Club. Um talento capaz de fazer o tenis parecer tão fácil perder um confronto de oitavas-de-finais de Wimbledon de forma tão apressada - como se fosse um 'domingueiro' atrasado para o almoço. Murray já conhecedor dessa fragilidade do oponente buscou todas as bolas - em alguns momentos deu inveja até a Rafael Nadal em suas melhores peripécias nas quadras - e fez o apático francês sempre ter que devolver mais uma, o que minou completamente a confiança de um tenista já combalido e acusado de fraquejar em situações complicadas. É só lembrarmos da ausência de Gasquet no último confronto da Copa Davis; um talento desperdiçado.

Nas quartas-de-finais, Andy Murray e a torcida inglesa terão pela frente um grande desafio: nada mais nada menos que o espanhol Rafael Nadal, que exceto por um set cedido a Ernests Gulbis na segunda rodada vem passeando no All England Club à espera da tão aguardada final com Roger Federer. Se o escocês entrar no jogo franco com o espanhol, trocando bolas no fundo da quadra, o público terá uma grande decepção; as alternativas são duas: sacar muito bem e ir à rede em busca de seus precisos voleios e exagerar nas 'deixadinhas' tirando o tenista de Palma de Mallorca do fundo da quadra. A correria demonstrada diante de Gasquet, exigindo sempre mais uma devolução do adversário pode também fazer a diferença, principalmente se Nadal precisar executar voleios - mesmo que não sejam dos mais complicados.

Andy Murray está, de qualquer forma, no lucro: mesmo que perca para Rafael Nadal - o que não é um resultado improvável -, o escocês com certeza já terá conquistado a empatia do público e da imprensa inglesa, que aguardarão 2009 com expectativas bem positivas; se Murray vencer o tenista espanhol, o tabu que incomoda o tenis inglês desde 1936 terá, sem querer menosprezar seu oponente nas semi-finais, apenas um grande obstáculo: Roger Federer. Chegando à final - provavelmente desgastado pelas horas em quadra -, independente do resultado Murray sairá da quadra central do All England Club com muito orgulho e sob fortes aplausos da torcida e da imprensa. Quando indagado sobre sua nacionalidade, o tenista da 'casa' deverá até titubear entre duas respostas...

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Sobre Artur Salles Lisboa de Oliveira

Artur Salles Lisboa de Oliveira é jornalista, coordenador-geral da Revista Eletrônica Raciocínio Crítico, acompanha o circuito profissional de tenis desde Novembro de 2003 e colabora com a Tenis News desde Março de 2005.
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