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Há 17 anos, Ferrero desencantava e finalmente erguia o troféu em Roland Garros

Terça, 09 de junho 2020 às 08:35:00 AMT

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Tênis Profissional

Por Ariane Ferreira - Neste 09 de junho o título do espanhol Juan Carlos Ferrero em Roland Garros completa 17 anos. A campanha, recordada pelo agora treinador em entrevista à ATP, registrou seu desencanto em Paris após bater na trave.

 



No início dos anos 2000, Ferrero surgiu nas quadras de saibro europeias como um dos jovens capazes de fazer frente à Gustavo Kuerten, o nosso Guga, em termos de resultados principalmente no saibro. Ao lado de nomes como o dos argentinos Guillermo Coria e David Nalbandian e do chileno Fernando González, Ferrero era diante da imprensa especializada na época um grande candidato ao protagonismo no saibro.

Promissor desde o juvenil, o espanhol passou a trabalhar com Antonio Martinez na região de Valência aos 10 anos de idade e seguiu com ele até o fim de sua carreira profissional em 2012. Com Martinez, o jovem esguio que ganhou o apelido de "Mosquito" fez sucesso no juvenil, tendo feito final em Roland Garros em 1998 perdendo para o chileno Fernando González.

 

A profissionalização veio para o espanhol no mesmo ano do vice-juvenil de Roland Garros e já no ano seguinte rendia seu primeiro título ATP, em Mallorca (Espanha), tendo surpreendido o então 11º seu compatriota Alex Corretja. Sua ascensão no ranking foi rápida, tendo aberto a temporada 1999 como 348º do mundo e finalizado como 42º.

Em 2000, Ferrero fez render sua temporada no saibro com quartas de final em Monte Carlo, vitórias sobre dois ex-números 1, o chileno Marcelo Ríos e o espanhol Carlos Moyá em Barcelona (perdendo a final do russo Marat Safin). Mas ganhou atenção ao cair em uma batalha de cinco set na semifinal em Roland Garros para Gustavo Kuerten com placar 7/5 4/6 2/6 6/4 6/3 para o brasileiro, então quinto do mundo. Mesmo sem títulos no ano, o espanhol margeou o top 10 e finalizou como 12º.

Ao fim da temporada 2000, o jovem Ferrero foi protagonista da grande final da Copa Davis, em um time com os experientes Carlos Moyá, Alex Corretja e Joan Balcells, além de Tommy Robredo. Diante da Austrália, com o então número 1 do mundo, Lleyton Hewitt de titular, tal como o ex-número 1, Patrick Rafter, Juan Carlos liderou a Espanha que venceu nas duplas com Balcells e Corretja e o viu bater Rafter e Hewitt. 

Já 2001, Ferrero abriu a temporada no saibro conquistando o título de Estoril (Portugal), Barcelona e na Masters Cup de Roma (Itália), conquistado em mais um duelo dramático contra Guga com placar de 3/6 6/1 2/6 6/4 6/2 [assista na íntegra através da Tennis TV]. Ferrero ainda foi vice na Masters Cup de Hamburgo (Alemanha) e chegou firme para mais uma disputa em Paris.

Ali, fez uma campanha tranquila, superando especialista no piso como o sueco Thomas Enqvist e superando com muita tranquilidade nomes como o australiano Lleyton Hewitt. Na semifinal, outro reencontro com Guga, que deu o troco da final de Roma, em outro jogo intenso, mas distante das batalhas anteriores 6/4 6/4 6/3 para o brasileiro número 1 do mundo.

Já no ano de 2002, Ferrero finalmente chegou à final em Paris, disputando uma chave complicada. Com vitória na estreia contra o qualifier polonês Jean-Rene Lisnard em sets diretos, a segunda rodada contra o local Nicolas Coutelot partida em cinco sets com direito a pneu no set final, seguindo pelos argentinos Guillermo Coria, que voltava de lesão, e Gastón Gaudio, este em novo duelo dramático em cinco sets. Coria e Gaudio protagonizaram a final Roland Garros dois anos mais tarde. O espanhol seguiu firme passando nas quartas por Andre Agassi, então quarto do mundo, em quatro sets e na semi diante de Safin, então vice-líder. Na final, muito nervoso em quadra, Ferrero foi derrotado pelo compatriota Albert Costa em 6/1 6/0 4/6 6/3.

O desencanto em Paris

Após ‘bater na trave’ nos três anos anteriores, Ferrero voltou a jogar bem a temporada de saibro, foi campeão em Monte Carlo e Valência (Espanha), mas acabou abandonando a semifinal em Roma, diante de Roger Federer ao sentir uma lesão na perna.

Recuperado, chegou em Paris para uma vitória tranquila sobre o russo Michel Kiratochvil, então 85º, na sequência viu Nicolas Massú, 84º, abandonar e na terceira rodada virou sobre o britânico Tim Henman, 28º, e superou o compatriota Felix Mantilla, 21º, em uma apresentação de alta intensidade com placar de 6/2 6/1 6/1. Nas quartas de final, seu primeiro e único sufoco foi justamente Fernando González, 20º, com placar de 6/1 3/6 6/1 5/7 6/4 em 3h29 de partida.

Após a ‘batalha de forehands’ com González, o espanhol precisava se recuperar para encarar seu algoz na final de  2002. Costa, 9º, também vinha de um duelo em cinco sets contra Tommy Robredo, porém, tinha mais experiência que Ferrero, que vivia o fantasma de mais uma vez jogar contra seu algoz na edição anterior. Como terceiro do ranking, ‘Mosquito’ assumiu o favoritismo e levou a partida em 6/3 7/6 (5) 6/4.

Na grande final, Ferrero encarou o improvável holandês Martin Verkerk, 46º, chegava com vitórias sobre o espanhol Carlos Moyá e Coria, respectivamente nas quartas de semifinal. Ali, Ferrero fez valer seu favoritismo e dominou a surpresa do torneio com placar de  6/1 6/3 6/2.

Com o título em Paris, o espanhol seguiu em curva ascendente no ano, fez o que até então seria sua melhor campanha em Wimbledon alcançando oitavas de final e chegando à final do US Open, torneio em que se tornou número 1 do mundo ao bater o então líder, o norte-americano Andre Agassi na semifinal. 

Confira a final de Roland Garros 2003 na íntegra:

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