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Aberto de SP ameaçado em 2015 por calote nos jogadores

Sexta, 22 de agosto 2014 às 08:00:00 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas e Ariane Ferreira - Terceiro maior torneio do país, o Aberto de São Paulo corre o risco de não acontecer em 2015. Conforme apurou o Tênis News junto à ATP, todos os atletas ainda não receberam a premiação e o evento paulista não sabe quando terá a verba para quitar o débito.

O torneio, que chegou à 14ª edição na primeira semana de janeiro desse ano com premiação total de US$ 125 mil, no Parque Villa-Lobos, havia postergado o prazo para o último dia 5 de agosto para quitar a dívida com os atletas, mas não cumpriu com a palavra.

"Estamos com esse problema, é sempre o problema do Brasil, muita burocracia para tudo, demora 30, 60 dias para sair qualquer tipo de documento", disse Juliano Tavares, diretor do evento que não quis revelar mais detalhes sobre o motivo do atraso do pagamento ou de onde viria a verba faltante para pagar os tenistas: "Essa foi a 14ª edição do torneio, no primeiro ano tivemos o mesmo problema. Vamos resolvê-lo o mais breve possível", continuou sem dar uma nova data para sanar a dívida.

Nossa reportagem também escutou a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) que coordena a realização dos challengers. A ATP explicou que para aprovar a realização de um evento como este, é preciso o pagamento de uma taxa de 15% do valor da premiação total, ou seja, no caso do Aberto de SP, US$ 18,5 mil. O contrato determina que o acerto da premiação com os atletas deve ser feito pela organização do torneio através da ATP. Para tal, a ATP exige que o pagamento total do prize money na sexta-feira anterior ao início do evento.

"Essa é a primeira vez que o torneio falhou no pagamento do prize money", revelou um porta-voz da ATP que ainda acredita que o evento possa quitar a dívida: "Falhando nesse quesito, o torneio violou o contrato. A ATP continua em contato direto com os organizadores para resolver o problema o mais rápido possível".

Apesar do imbróglio ainda não ter sido resolvido, Juliano Tavares já vislumbra a edição 2015, que seria entre os dias 3 e 11 de janeiro, ainda maior do que a de 2014: "Teremos a edição 2015 com premiação igual de US$ 125 mil + Hospedagem. É um desejo meu ter o torneio feminino, desejo de muito tempo que espero que saía para 2015. Em 2014 investimos nas quadras externas e áreas externas, para deixar o local mais charmoso. Agora estamos no processo de iluminação das quadras que passou a ser permitido e poderemos ter jogos à noite para o ano que vem."

Mas para tal edição acontecer, pelo menos no masculino, a ATP mandou um recado de que vai endurecer com a competição paulista: "Precisamos receber o pagamento completo (de 2014) para começar as discussões sobre 2015", continua a entidade: "Por conta dos problemas deste ano, para o evento ser realizado em 2015, a ATP vai requerir o pagamento total da premiação com antecedência para que o evento possa começar", finaliza.

O Aberto de São Paulo por mais de uma década foi o segundo maior torneio do país, caindo para terceiro somente em 2014 com o surgimento do Rio Open e sempre foi palco de preparação para os jogadores não só do Brasil como de várias partes do mundo para o Aberto da Austrália, sobre o piso duro.

Outro tradicional evento passou pelo mesmo problema em 2006 e sumiu do calendário, o antigo challenger de Belo Horizonte, sempre jogado no meio da temporada.
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