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Feijão dispara contra CBT e manda: 'F*da-se a Copa Davis'

Sexta, 23 de março 2018 às 12:39:25 AMT

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Tênis Profissional

Em entrevista para o site Globoesporte.com, João Souza, o Feijão, ex-top 70, ligou a metralhadora e disparou diversas críticas contra a Confederação Brasileira de Tênis. De mudança para a Flórida, nos Estados Unidos, ele recusou convocação para a Copa Davis.



Sem bons resultados no ano e com o ranking de 291 do mundo, o paulista de Mogi das Cruzes não é mais treinado por Ricardo Acioly, o Pardal, e passará a treinar na academia do argentino Brian Dabul e viajando com o também argentino Juan Pablo Brzezicki.

O jogador contou sua mágoa com a CBT e fez algumas acusações na gestão Jorge Lacerta e também ao do presidente desde 2017, Rafael Westrupp.

"Eu nunca gostei da CBT do jeito que eles tocam as coisas. Nunca foram muito claras para mim. Nunca tiveram critérios em nada em termos desses patrocínios. Cada ano era de um jeito. E óbvio, eu estou com o Pardal (o técnico Ricardo Acioly) há 13 anos. Por mais que eu não siga com o Pardal como treinador agora, mas o Pardal é meu “pai” (...) E a CBT com essas desavenças com o Pardal acabava meio que descontando em mim. Ou o Jorge (Lacerda, ex-presidente). Tudo vem do Jorge na verdade, as decisões vinham dele. Como ele não batia com Pardal, respingava em mim. Eventos da CBT no final do ano, não me chamavam. Me chamaram acho que uma vez", disse Feijão, magoado.

"Eu não tenho nada contra os caras, me dou bem com os caras, mas muitas coisas acho que respingam em mim por causa dessa briga política com o Pardal. Vou te dar um exemplo. O Westrupp é o fantoche do Lacerda, né? Tá de brincadeira, é óbvio. Para mim não mudou nada."

A CBT emitiu um comunicado para a reportagem dando a versão de Westrupp sobre as críticas: "Entendemos que o atleta está atravessando uma longa fase de resultados ruins, mas a busca de culpados e teorias conspiratórias não é o caminho para voltar a vencer. Torcemos para que Feijão volte a jogar no seu melhor nível e estamos prontos a apoiá-lo neste processo, mas reforçamos que ele nunca procurou ou tentou se comunicar com o presidente neste primeiro ano de mandato. Westrupp repudia fortemente a acusação leviana de que há interferência externa da gestão passada na atual. Westrupp expressa o respeito pelo presidente anterior, Jorge Lacerda, porém afirma que possui total autonomia em sua gestão, seguindo um planejamento realizado juntamente à sua diretoria e corpo técnico".

Feijão também recusou convocação para encarar a Colômbia na Copa Davis e mostrou mágoa com o capitão João Zwetsch. Ele foi convocado quatro vezes e jogou em três delas em 2012 contra a Colômbia, 2015 contra a Argentina e Croácia. E disparou sobre a convocação do ano passado diante do Japão em setembro

"No Japão, chamar o Clezar antes de mim... Por que vai chamar o Clezar antes de mim? Eu estava com ranking melhor, não estava bombando, mas estava com ranking melhor que o Clezar. Acho que eu estava em 160, ele não vinha ganhando, nem eu. Nada contra o Clezar, ele é superamigo meu. Não quero falar nada de ruim dele, é um brother meu. Se o Clezar fosse um cara que em Davis jogasse para cacete, representasse… Simplesmente chamaram ele sem critério nenhum.Eu tinha acabado de ter um filho, não foi capaz de mandar uma mensagem. Não foi capaz nem de ligar. Aí não falou p*** nenhuma dessa Davis. Aí eu falei, quer saber? F**-se a Davis. Tô cagando".

Zwetsch respondeu afirmando não ter problemas com o atleta. Inclusive Feijão treinou recentemente na academia que comanda, a Tennis Route.

"João Zwetsch ressalta que todas as convocações são baseadas em critérios técnicos avaliados mediante as condições de cada confronto. São um conjunto de critérios que levam à decisão: tipo de piso, fase do jogador, condições do local, adversários, legado para a Copa Davis pensando nos anos seguintes, etc. Cada convocação é explicada publicamente com minúcias referenciando o raciocínio técnico do capitão para aquele confronto e, que é comum que eventualmente algum outro jogador não convocado conteste se não o agradou. João destaca ainda que a sua relação com o Feijão é boa e que recentemente conversou com ele quando treinou na Tennis Route antes de embarcar para o Estados Unidos - disse em comunicado eviado pela CBT.

Feijão seguiu e afirmou que no momento não quer mais estar com a Copa Davis: "Difícil, cara. Muito difícil. Eu não tenho mais vontade. A Davis perdeu a graça. Davis não é mais a Davis de antigamente. Até os próprios jogadores não têm mais aquela onda que tinha. Peguei Davis com o Guga quando era juvenil, André Sá… Sei lá, a galera era mais unida. Capitão era diferente. O Fino (Meligeni) na época… Fui em Davis treinando, como quinto jogador, de tudo que é jeito. Mas eu não sinto mais aquele espírito de antigamente, as reuniões que tinham pós jantar, a zoeira… Perdeu a graça. O clima para quem está ali até é legal, nenhum jogador tem problema com ninguém. Todo mundo é amigo, Bruno, Marcelo, Thomaz, Thiago, Rogerinho. Pelo menos eu sempre me dei bem com todo mundo."

Feijão ainda mostrou mais bronca com a CBT. Foi ajudado com patrocínio de verba de 5 mil reais dos Correios em 2014 e reclamou: "Eu nunca tive patrocínio dos Correios. Tive uma vez durante seis meses, que você tinha passagem de 5 mil reais em seis meses, mas só poderia comprar passagem com agência deles. E eu achava um absurdo. Eu cotava passagem era mil reais, cotava com os caras era 3 mil. Eu nunca gostei da CBT do jeito que eles tocam as coisas. Nunca foram muito claras para mim. Nunca tiveram critérios em nada em termos desses patrocínios. Cada ano era de um jeito.
A CBT então respondeu: "De forma alguma a entidade desprezou o atleta João Feijão Souza. No ano de 2014, inclusive, a CBT teve um contrato de um ano com o atleta no valor de R$ 5 mil mensais depositados na conta do atleta, em um orçamento da CBT via Correios. O mesmo contrato foi firmado com outros atletas. O atleta deixou subentendido na entrevista que as passagens aéreas eram compradas com alguma agência suspeita. A CBT sempre trabalhou com empresas licitadas, inclusive durante o período citado pelo mesmo, sendo que as licitações sempre foram públicas, com editais publicados inclusive no site da CBT, sem qualquer relação extra profissional com essas agências."