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ITF é o melhor caminho para o Beach Tennis , afirmam Mingozzi e Barijan

Sexta, 26 de junho 2020 às 10:49:32 AMT

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Tênis Profissional

Diante da crise causada pela pandemia do coronavírus deixando atletas, professores e organizadores sem trabalho e renda no Beach Tennis, dois membros do Conselho de Jogadores da Federação Internacional de Tênis se reuniram em uma live no Instagram para falar sobre o momento atual.



Foto: Samantha Barijan (de verde) em torneio na Itália com parceira Lorena Melo (à esquerda) / Crédito: Divulgação

 

Alex Mingozzi, italiano radicado em Porto Alegre, técnico da Seleção Brasileira e duas vezes campeão Mundial com o time do Brasil, membro na parte de capitão, e Samantha Barijan, ex-número 1 do mundo e atualmente no top 20 mundo, debateram sobre o papel do Player Council e seu trabalho voluntário junto a ITF em buscas pelo desenvolvimento do esporte.
Para ambos, seguir junto com a ITF, uma entidade com mais de 200 nações filiadas é o melhor caminho para o esporte por mais que a realidade do Beach Tennis esteja muito distante do tênis e até mesmo do tênis em cadeira de rodas.
Fazem parte do Player Council nove pessoas. Além de Mingozzi e Samantha, a alemã Maraike Biglmaier, o russo Nikita Burmakin, dois ex-número 1 do mundo, outros dois representantes do top 20, além do japonês Satoshi Goda, representante da Ásia/Oceânia e do top 50, a americana Nadia Johnston, o suíço Yves Fornasier, representante do top 200, Helga Jeske, sul-africana, do top 200, Nikita Ribakovs, letão, do top 200.


Primeiro os dois atletas esclareceram e reiteraram que não recebem nenhum valor pelo trabalho que fazem.
"É um trabalho que tira muito tempo. Todo dia tem email, mensagem. Estou muito surpreso, achei que fosse mais light, nós estamos trazendo uma experiência, você Samantha de 12 anos do Beach Tennis e eu de 25 e a Maraike que deve gastar umas três, quatro horas por dia. Estamos trabalhando sem ganhar um dólar, um real por isso, respeito muito o que está sendo feito, algumas respeitam menos, mas todos estão no mesmo barco, vão acabar ganhando também", disse Mingozzi.

Samantha complementou: "Já escutamos que estamos ali porque ganhamos bolsa atleta, dinheiro ou por interesse porque não tem resultado e está querendo um status. Estamos simplesmente para ajudar e levar as dificuldades dos atletas até a ITF. Os atletas não conseguiam falar diretamente com a ITF. Maraike é a presidente do Conselho, ela é a mais participativa e ativa, só temos a elogiar. Mingo está como capitão, eu como jogadora. O Intuito é dar voz aos atletas, recebemos mensagens por WhatsApp, mensagem por Facebook, levamos para a ITF e não quer dizer que a ITF vai acatar. Fazemos de tudo para que aconteça. Não mandamos e desmandamos lá, existe uma burocracia onde nós queremos atuar e exigir o que é de direito dos jogadores. Não sou uma pessoa muito política, nunca fui, mas estou aprendendo. Temos três, quatro ex-número 1 lá dentro do Player Council. Pessoas ou jogadores honestos e trabalhadores, que além de ser atletas também trabalham com o Beach Tennis. Que buscam o melhor pelo esporte."
Os dois atletas acreditam que a parceria do Beach Tennis com a ITF é o melhor caminho para desenvolver e popularizar o esporte.
Mingozzi: "Não é o mundo ideal ainda com a ITF, mas é o mais sério, entidade que tem regras. Fora disso, sou muito realista, gosto de falar de coisas concretas. Qual é a alternativa pronta ? Beach Tennis espalhado pelo mundo, torneios Brasil, África do Sul, Japão, em todos os continentes.
Poderia ter um grande circuito com dois, três,quatro grandes patrocinadores tipo o paddle, um Beach Tennis Tour, fora da ITF, com alguém bancando 2, 3,4 milhões de dólares, custaria algo assim, pega os top 30 masculino e feminino e faz teu circuito seria a única alternativa que eu enxergo, não tem outra Federação. Na Itália eu vivi umas 15 federações que apareciam todos os dias. Tem que apostar em uma, a ITF se mexeu e hoje é a entidade mais séria para o desenvolvimento do esporte . Temos que tentar trabalhar juntos, senão trabalharmos juntos vai prejudicar o desenvolvimento do esporte, os jogadores e o Player Council".
"Escolhemos andar dentro da ITF pois vemos o melhor caminho em união, fortalecimento. Beach Tennis não era nada, de repente nos colocaram dentro do Foro Itálico de Roma, de Roland Garros, Master Series de Miami, isso é muito importante para a visibilidade do esporte. Às vezes falamos de reivindicar algumas coisas como premiação, ajuda as jogadores, mas vamos ver outras coisas que são importantes para o desenvolvimento do esporte também".
Samantha: "Não estamos dizendo que a ITF é a melhor ou a única, estamos tentando dizer que estamos buscando desenvolver o esporte através dela. Já joguei torneios paralelos como em Campinas que são muito bons, só achamos que existe um desenvolvimento muito maior do que só torneios de Beach Tennis.
Mingozzi: "Com a ITF conseguimos entrar no Comitê Olímpico, tem algumas vantagens. Desde meus 18 anos que escuto falar em criar uma federação de Beach Tennis, pode ser, mas hoje a ITF alcança 210 nações, estão fazendo programas de divulgação do esporte junto com a Sandever. Tivemos Jogos Olímpicos de Praia (ANOC) ano passado em Doha, no Qatar, parece que junto com o Beach Soccer, o Beach Tennis foi o de maior sucesso. Foi um primeiro passo importante (Olimpíada), estavam todos lá, presidente da ITF, de todos os comitês olímpicos, olhando o Beach Tennis e gostaram muito do esporte".
Samatha:"ANOC foi muito importante pois tem ligação com o COI e o COB, ligação com a ITF e CBT. Olimpíada a ITF/CBT estão vendo isso, mas para o próximo não dará, de repente para o outro, mas O de ANOC deu muita repercussão, foi bem visto."
Samantha: "Nós somos atletas e desenvolvedores do esporte. Atleta profissional não pode só pensar em torneios, premiação, ajuda. A ITF desenvolve o esporte, um bom exemplo, a ITF fez parceria com a Sandever que montou kits básicos e promocionais, levando para continentes, procurando a popularização do esporte como África, Ásia, pra gente é o muito importante isso.
Trabalha na capacitação de arbitragem com profissionais da área, que estudam pra isso, migram para o Beach Tennis. O foot fault uma regra do esporte que os atletas deveriam respeitar e os próprios atletas não respeitam. Não é só para o atleta e sim todos os lados, se um torneio não faz o que deveria fazer, não segue as regras, ele acaba punido, pode não voltar a acontecer. Como o caso de Santos, o problema da areia, foi passado para a ITF e pra um próximo deverá ser modificado. Precisamos ter por trás uma entidade que tenha regras.
Por exemplo, igualdade de gênero é mote da ITF, uma época teve burburinho de premiar mais os homens e isso não entra na ITF. Hoje em dia tem muitas meninas viajando do que antes. Tem muita coisa por trás que as pessoas não sabem.”

 


Mingozzi e Samantha comentaram sobre aspectos que pediram ou estão pedindo para a ITF atender os atletas como por exemplo a questão do IPIN introduzida esta temporada que custa US$ 35,00 anuais aos atletas. Uma possível ajuda financeira também foi abordada.
"Pedimos sim para prorrogar o IPIN , ainda não recebemos uma resposta pois não se sabe até quando vai a pandemia, eles estão vendo uma forma de prorrogar o próximo pagamento. Tentamos pedir a devolução, mas é inviável fazer mais de 1000, 1200 devoluções de 35 dólares, só a taxa cobrada nisso é muito alta. Estamos tentando postergar o pagamento do próximo IPIN, seguindo a noção de lógica", afirmou Alex.
"O Player Relief é outra coisa, claro que eu e você entre os 20, 25 do mundo, queríamos US$ 5 ou US$ 10 mil dólares de ajuda, mas é preciso ter contato com a realidade. São 1.200 atletas inscritos pelo IPIN, com 35 dólares cada, mais ou menos 45 mil dólares de caixa . Lutamos muito nós do Player Council por uma ação para devolver algo para os jogadores e parece que conseguimos algumas coisas tanto que a ITF assinou alguns valores para algumas confederações".
Samantha: "Se faz muita comparação com o tênis, mas Beach ainda é incomparável. No tênis tem 4 Grand Slams, ATP, WTA, que ajudaram os atletas e a ITF não está envolvida nisso, a ajuda no tênis começa em simples a partir do 150 até 500 se não me engano e na dupla começa do ranking 70. No Beach são 1200 inscritos no IPIN, os organizadores de eventos são proprietários, vivem de outras coisas, é muito diferente, não temos um Grand Slam. Estamos vendo como será a ajuda enviada pela ITF, a própria ITF quem enviará como será essa distribuição. A partir disso ainda tem algo mais burocrático. A CBT é como se fosse elite, nível A e existem outras associações menores tipo C, D, então esse dinheiro pode não ir para o nível A, e sim para as menores. Ainda tem mais esse critério. As pessoas comparam o tênis ao Beach Tennis, mas na hora de ganhar dinheiro não dá para comparar."
Mingo: "Me informei sobre o tênis de cadeira de rodas, quanto ganha o número 1 deles?
Eu fui número 1 do mundo e você também, difícil ganhar mais de 20, 25 mil dólares por ano, ganhando uns cinco, seis, sete torneios por ano. Ainda tendo que pagar hotel, viagem, etc. O número 1 do mundo de cadeirantes ganha algo como US$ 100 mil. No Beach se ganha dinheiro montando uma boa escola, patrocinadores, não ganha em torneios. Não quero justificar nada, mas é preciso entender bem os números."
Mingozzi e Samantha comentaram que vem buscando, junto ao Player Council, implementar uma categoria nova no Beach Tennis com premiação maior e também um novo ranking de duplas mistas.
Samantha: "Estamos reivindicando uma categoria mais alta, acima dos US$ 50 mil em premiação, senão colocarmos categorias mais altas sempre ficaremos no mesmo patamar, ganharemos um torneio, no outro não ganha e acaba que o atleta vive de dar aula e mesmo quando viajam dão clínicas. O conselho está buscando novas categorias, não é simples pois envolve sistema.
Levamos também a novidade é o ranking de dupla mista. É sempre o fator decisivo de torneios oficiais e porque não ter um ranking? Beach é um esporte muito democrático, a própria ITF acha muito legal, está sendo criado um sistema, era para ser colocado em 2021, mas com a pandemia estão dando visibilidade a outras coisas."
Mingozzi: "ITF está escutando como nunca. Antes ninguém escutava e agora pelo menos tem alguém ouvindo, não significa que faremos milagres, não temos muitos recursos ainda.
O dinheiro do Beach Tennis na CBT, quando entrei como capitão, consigo ver os números, na CBT entra taxa dos atletas, R$130 por ano e serve mais ou menos para pagar passagens da Seleção Brasileira para o Mundial da Rússia, para Aruba pro Pan-Americano, entre os atletas profissionais e juvenis, não é suficiente. Tem que ter marketing, patrocinador que leva 100 mil, 200 mil para a entidade. Isso não é uma desculpa, tem que ser feito trabalho grande de marketing, falamos isso também com a CBT e a ITF.
Nossas reuniões com a ITF falamos em promover mais os eventos, captar mais patrocinadores, o que vai gerar mais dinheiro."
Os dois comentaram também que vêm buscando uma ampliação do marketing no esporte junto com a Federação Internacional de Tênis como por exemplo inserções de vídeos nos principais eventos e mais mídia.
Com a paralisação do circuito desde março, os rankings estão congelados e a ITF vem estudando duas alternativas para a retomada.

Mingozzi: "Tem um de congelamento e com a abertura (dos torneios) seríamos descontados os meses da pandemia. É um dos mais votados. Outro bem interessante, seria juntar em um resultado e somar os próximos torneios e descontar em parcelas futuras, cada seis, sete semanas perderia parcela . É um pouco confuso, mas está sendo bem pensado por segurança aos atletas."
"Não pode ser critério injusto. Voltando o circuito podem ter atletas com medo de viajar.

Sobre o calendário, o que foi divulgado na semana passada voltando em agosto ainda é provisório e depende de uma série de fatores, o principal a pandemia estar controlada.
Samantha: "O que foi colocado é um calendário provisório, nem todos os torneios estão confirmados, tudo pode mudar. Dependendo da pandemia pode ser que não tenha. A ITF deixou bem claro que se não houver algo justo para os jogadores, não teremos circuito nesse momento. Imagina ter um torneio que precisa ficar 15 dias de quarentena. Só o US Open de tênis consegue fazer isso por que paga um Hotel inteiro para os jogadores ficarem, gasta milhões. Um evento de Beach Tennis fica inviável.”
Mingozzi: "No Brasil situação não é boa, julho será muito difícil com chegada do frio aqui no Sul. Nós como jogadores temos muita vontade de jogar, mas medo também, mas problemas de logística, quarentena, chegar em um lugar e não saber se podemos voltar pra casa. Atletas ficaram presos quatro meses em Ilhas Reunião, um lugar caro. A Previsão agora seria voltar pro fim de agosto, tenho contato com meu amigo de Saarlouis e ele não sabe ainda , teria patrocinador para fazer, mas é tudo confuso, tem Mundial de Terracina também. Depois de setembro teríamos muitos torneios como Gran Canarina, Ilhas Reunião e outros. Esse torneio do Djokovic querendo ou não, não ajudou, é exemplo negativo, é o que pode acontecer no Beach Tennis, se aparecem duas pessoas com coronavírus, depois ficam uns 30. Estamos conversando com a ITF e esperando uma resposta. Na Itália e Espanha agora os números estão bons. Agora temos muitos jogadores da América do Sul, que estão praticamente em lockdown ainda. Será um mês decisivo no Brasil em julho. Tomara que podemos jogar ainda esse ano, mas já fui mais otimista, hoje estou menos."
Sobre as novas regras desse ano, foi aprovada a rede a 1,80m que pouco foi testada em busca de mais rallies para proporcionar maior possibilidade para a televisão. Bolas com cores diferentes estão sendo testadas e os jogadores estudam até o aumento do tamanho da bola para o futuro.
Mingozzi: "Sobre a regra do 1,80m não temos muitos dados, só jogamos um torneio importante em Santos, com areia dura, pelo que vi, o jogo fica mais técnico, dificulta bastante no saque, não teremos saque braço solto e sim mais de controle, provavelmente mais atrativo pra TV. Eu não era favorável a essa regra por logística, não é fácil mexer o tempo todo na rede. Veremos como será a gestão dos organizadores. Estamos atrás de patrocinadores, de uma TV, no futuro pode ser a solução uma bola maior, mas para agora, a bola ter outras cores, deve melhorar a imagem na TV. O Conselho foi contra a ITF colocar a regra da rede 1.80m somente em torneios maiores e menores não, é ilógico.“

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